Em jogo a Taça Guanabara e a conquista de uma vaga na final do Campeonato Carioca. Mais um Flamengo x Botafogo decisivo. Um tira-teima em Taças GB. No passado, cada um havia ganho uma em decisões entre eles. Outro tira-teima após uma sequência de empates eletrizantes nos últimos cinco jogos.
O Botafogo tem torcedores diferentes. Não sei definir completamente, o Botafogo não ganha muitos títulos, nem sempre chega nas finais, seu torcedor é um apaixonado indiferente, com surtos de loucura fulminante e desespero incontrolável. Ele é engraçado, fanático e ao mesmo tempo tem ares de lucidez. Todos os botafoguenses que eu conheço são especiais, diferentes dos outros torcedores. É um anti-herói. O anti-herói é aquele que foge ao estilo clássico do herói. Não é forte nem bonitão, não é galã, às vezes inteligente mas as coisas podem acontecem a seu favor, mesmo que ele não queira.
O jogo termina com a vitória do Flamengo. Uma decisão pra ser legal tem que ter uma dose maciça de emoção, polêmica e nervosismo. Não dá pra ficar assistindo como a um jogo de tênis, em silêncio. E essa teve de tudo.
Até o descabido descontrole geral do Botafogo. O que foi aquela coisa, um monte de marmanjos, choramingando, um presidente demissionário em público, no olho do furacão. Lembrei da "Tropa de Sofredores" . Esse ano desandou cedo.
Aquele chororô todo, foi causado por tantos motivos, de tantos acontecimentos contrários, tantas coisas que disseram e fizeram contra o Botafogo que dava pena de se perceber que tudo aquilo iria virar chacota. Eram um bando de pobre coitados, infelizes, orfãos de uma vitória. Vítimas de uma conspiração imaginária. Meus amigos botafoguenses não mereciam.
As vitórias são feitas de momentos sublimes, decisivos, principalmente inspirados, por isso marcantes e belos.
Já estava 2 x 1 para o Flamengo quando foi lançada uma bola sobre a área, por cima da defesa, encontrando Wellinton Paulista, o artilheiro, os corações param por um instante, os olhos procuram um impedimento que não havia. O goleiro sai em total desespero. O artilheiro, mata no peito de forma clássica, dá um voleio e... a bola vai para a geral se ela ainda existisse, junto vão os sonhos botafoguenses e o coração rubro-negro volta a funcionar animado.
Poderia ter sido assim, o artilheiro, mata no peito já sabendo do desespero do goleiro, antecipando o pior, quando a bola descai um pouco ainda sobre seu controle ele a levanta levemente com o pé direito, encobre o goleiro que passa lotado, o artilheiro ainda é tocado pelo desespero do goleiro que tenta fazer um penalty como um último recurso, mesmo desequilibrado o artilheiro toca de cabeça e empata a partida.
O que aconteceria depois é imaginação, mas ninguem esqueceria esse momento.
Faltou foi talento.
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