domingo, julho 09, 2006

A Copa 2006

Hoje é a final!
Não há no mundo mais espaço para a inocência, para o romantismo. A globalização torna o Capital o combustível para movimentar as nossas esperanças e sonhos. Não há mais sonhos sem que ele tenha um preço.
Era o melhor time, antes da Copa discutiasse que seria o destaque, que recordes seriam quebrados, quantas jogadas de efeito por jogo nossos craques fariam, com quem decidiríamos, na final. Quem seria o vice desta vez?
As empresas de comunicação enviaram seus correspondentes, todos os possíveis, foram desde comentaristas e reporteres esportivos a profissionais de moda, tudo para cercar a Copa do Mundo e não escapar nenhuma informação.
Estamos gordos, temos bolhas nos pés, frequentamos boates nas horas vagas, somos superstars pop da bola, a Suiça é brasileira, lá tem prostituta, samba, camelódromo e tambem seleção brasileira. Não havia assunto que escapasse, a comunicação era desnecessária para tantos assuntos que nada acrescentavam, que era interessado nisso? Pouco li jornal ou vi reportagens em TV, queriam tirar leite de pedra e se repetiam e incluíam qualquer assunto.
Um mês de expectiativa e começa o jogo. Eu queria ver todos os que pudesse, imaginava que iria testemunhar o grande futebol. Até a nossa primeira partida vi um bom jogo, Argentina x Costa do Marfim, mas me decepcionei tambem neste, a globalização fez com que os africanos, tomassem gosto pela defesa, tem um técnico europeu, e não joga mais em festa como víamos em copas passadas. O Capital entrou em ação e percebeu que a Europa em tempos seria uma terceira força e engessou os africanos.
Nós jogamos e ficamos tristes, o Capital nos prometeu algo que não cumpriu, propaganda enganosa, cabe o Procom? Vamos para o segundo jogo, mesmice... O Capital informa, o futebol agora é feio, o importante é ganhar - quando era competir era mais divertido.
Mudamos, não havia compromissos maiores, já estavámos classificados e nos divertimos um pouco, goleada... em todas as entrevistas a felicidade dos artitas estava estampada, agora vamos, pra frente Brasil, vamos mostrar quem tem mais jogo.
Ilusão, o Capital fala mais alto, são recordes a serem quebrados, nomes a serem preservados, palavras e promessas não jogam, mas se impuseram a frente de nossa alegria. Todos nós víamos, era questão de tempo, quem seria o nosso algós. Somos tão superiores será que alguem é capaz de nos ganhar, a distância é tão grande, não há necessidade de esforço maior que possa nos incomodar, a final é questao te alguns jogos, a final ou o final?
Ficaremos sentados diante da TV, sem graça, com o gosto amargo, o sorriso amarelo, torcendo por quem?
Preferia 1966, Beatles, Almir Pernambuquinho, mais arte, mais emoção, mais inocência, menos Capital.

A Copa de 66

Na Copa de 66 ouvia no ambiente que Brasil ia jogar com Portugal, que tinha Euzébio, o Pelé europeu, o dono da padaria era portugues e era isso que eu sabia de futebol em meus oita anos de idade. O Brasil perdeu, Portugal seguiu para as quartas de final - na época eu nem sabia o que era isso - lembro que foi disputar com a Coréia quem seguia na Copa. No primeiro tempo uma goleada da Coreia definia a partida 3 x 0, uma zebra colossal, estava no jardim da minha casa em um domingo ensolarado, recebia a visita de meus primos, para aqueles almoços familiares de final de semana - bons tempos. Portugal virou o jogo, 5 x 3, seguiu adiante, não lembro do resto da Copa, o que aconteceu depois foi história que vejo contada em toda época de Copa do Mundo, a Inglaterra campeã, beneficiada por um erro de arbitragem, jogando em casa. Polêmica, é assim o futebol, tantas vezes aconteceu... não fosse assim não haveria graça.
Nessa época, lembro de revistas O Cruzeiro e Manchete e fotos de futebol, de querer deixar os cabelos crescer por causa dos Beatles e meu avô insistir em cortá-los quando começavam a subir na orelha, Sr. Eiras o barbeiro, era português.

Copa do Mundo

Nasci em um ano de Copa do Mundo, na primeira conquista do Brasil, mas a lembrança mais antiga que minha memória registra foi em 1966. Naquele ano tambem passei a me interessar por futebol, a definir a minha paixão pelo Flamengo. Naquele ano, não sei se antes ou depois da Copa, assisti pela TV o Almir Pernambuquinho - Edmundo da época, só que jogava muito mais - acabar com a decisão do Campeonato Carioca, descendo a mão no time do Bangu que ousava calar a Nação Rubro Negra com uma sova de 3 x 0, aquilo era demais para ele. O jogo não terminou, a torcida do Flamengo comemorou como se houvesse ganho o título, lavando a alma com a atitude do Almir.
A violência do Almir era fruto de emoção, de vontade de ganhar, da raça, simbolo rubro negro na época. Muitas estórias deve ter este jogo, mais a maior de todas, foi a de Almir.