domingo, maio 20, 2012

Luzes da cidade - Cristo e a Fotografia

Há dois meses tomei uma atitude que mudaria a minha vida. Resolvi aprender a fotografar profissionalmente.
A palavra "profissional" cria uma expectativa pelo que você irá ler adiante, sugiro não leva-la ao pé da letra.
Depois de embaralhar minha mente com palavras como fotometria, número F, diafragma, histograma entre outras, adicionadas a breves teorias sobre entrada e saída da luz; temia ser incapaz de ir adiante, saber controlar tanta informação e pô-las em prática sem que o HD cerebral entrasse em colapso.

A tensão aumentava, principalmente pelo fato de que alguém que se proponha a ser um profissional de fotografia, precisa no mínimo de uma câmera e não é o meu caso.  Convidado a uma aula teórica no Mosteiro de São Bento no Rio de Janeiro, local que, apesar de carioca, ainda não havia conhecido. Chegando lá a escuridão imperava e fui avisado pela Daiane que era muito difícil fotografar lá. Daiane, alem de minha futura nora tem bastante responsabilidade pelo momento aprendizfotógrafoansiosoestressado que vivo. Ela iniciou um curso básico, com a coragem que não tive a vida inteira. Era a senha. Chegou a hora e como aprendi, tudo tem seu tempo.

Pedi a câmera de Lady Dai e fui me aventurar num terreno escuro e o brilho por trás da escuridão se revelou para mim.

Lembra quando falei que o profissional, não era pra ser levado tão à sério? A foto ficou "tremida" porque não achei o termo técnico pra substituí-la. Mas eu vi a luz!


Desacelerei o coração e a mente entrou em total estado de excitação. Um apoio e uma foto mais clara poderia surgir, serve esse mural de madeira que separa o salão do corredor lateral do Mosteiro.


Pois é... não funcionou, mas não me dei por vencido. Há chão firme sob meus pés e um mosaico sobre minha cabeça.


Saí de lá empolgado. E decidido a arrumar uma câmera. E é uma Nikon 8800 VR e seus limitados recursos perto do que se tem hoje. Mas o suficiente para começar a me empenhar ainda mais no aprendizado.


Uma semana depois, aceito um convite para um evento sobre a prevenção e cura da Hepatite C a ser realizado no Cristo Redentor e a subida no Trem do Corcovado seria ás 17 hs. Aceitei, confesso sem ligar para o evento e sim pela possibilidade de fotografar de lá a Cidade Maravilhosa à noite. E lá fui eu, dona Regina a diretora Leila que proporcionou o evento através de uma amigo no Facebook e seu marido e meu prino Cidinho, que, assim como eu não conhecia o Mosteiro, ele debutava no Cristo Redentor.

Lembra que falei pra não levar tão à sério a expressão profissional? Pois é, ela vem junto com uma pequena carga de pressão por fotos perfeitas da parte dos amigos, ainda que não seja explícita.
Chegamos pontualmente, há de se destacar que, é coisa rara em se tratando das pessoas envolvidas.
O entardecer era de céu claro, sem nuvens em volta do monumento, o que me fez lembrar dos meus amigos de Cascavel que em dezembro passado, não tiveram a mesma sorte.

Algumas fotos no automático da câmera, para liberar a pressão dos companheiros de passeio e não correr o risco de não ter registrado o momento por ser um "profissional" e fui à luta. Verdadeiro combate entre eu, a escuridão, o brilho do Cristo Redentor e os poucos recursos da câmera. Sempre vendo a assombração de meu professor Edson Gama, me respondendo, quando perguntei se conseguiria fazer alguma foto com aquela Nikon... NÃO! Mas junto com um incentivo... TENTA...





E eu vi a luz pela segunda vez em uma semana!

Lembra aquela história do "profissional"? Nunca leve isso à sério!

A emoção que senti depois dessas experiências, não se descreve num blog, não é possível compartilhar plenamente. Um dia provavelmente vou dizer a mim mesmo que essas fotos são... o que importa?
O que me atrai são as possibilidades. Os olhos com que passo a olhar o mundo.

Profissional? Emocional é muito melhor!

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E lá no Cristo Redentor o vento estava muito frio!