Sou torcedor do Flamengo, faço parte de uma torcida que se acostumou a grandes times e bom futebol. A lembrança me traz de volta principalmente o Mengão Campeão do Mundo, com Zico, Junior, Adílio, Leandro e cia. Para não ficar apenas na paixão rubro-negra, lembro do Santos de Pelé que cansei de ver jogar, minha primeira partida no Maraca foi um Fla x Santos vencido pelo Santos. lembro do Inter de Falcão, do São Paulo de Raí e Telê, Grêmio de Renato e Paulo Cesar.
Nosso grande rival o Vasco, pode entrar nesta lista com Juninho Pernanbucano o outro Paulista e Romário.
Lembro da Máquina tricolor, fui no Maraca ver esse time de Rivelino, dar um show de bola no Bayern Munich, Campeão Europeu, no Maraca. Um jogo inesquecível.
Porque agora, à beira da conquista da Libertadores, não me parece que a torcida do Flu tenha motivos para se orgulhar deste time, que bradam à plenos pulmões, irá fazer história por ser a primeira conquista deste torneio.
Claro, o torcedor tem que comemorar, mas sejamos sensatos, mesmo que sensatez não seja característica de nenhum torcedor, ir para a final, em casa, contra a LDU do Equador, depois de ter tomado uma sova em 45 min e ter que tirar uma diferença de dois gols, deve deixar os tricolores de cabelo em pé.
Dá pra acreditar, claro, mas muito mais pela fragilidade da defesa adversária, pela força e fé da torcida, do que propriamente no time. Vá lá, tem um Conca, um Thiago Silva, mas será que no futuro a torcida tricolor quando lembrar deste time vai falar o Fluminense de Fernando Henrique? Ele sim é o grande destaque desse time, com defesas milagrosas, que já evitaram outras derrotas e nesta ultima operou mais um milagre evitando o quinto gol da LDU, o que significaria maior dificuldade e virar o resultado.
Tricolores sofrei, na quarta feira!!!
Dá para acreditar, mas não dá pra confiar.
sábado, junho 28, 2008
terça-feira, junho 24, 2008
A volta
Era um domingo qualquer. Saí de casa animado, era um jogo importante do campeonato de pelada no clube. Mais um motivo para rever os amigos, praticar o meu esporte preferido e relaxar as tensões da semana de trabalho.
Foi uma bola que veio da direita, muito mais para mim que o adversário. Vislumbrei o contra ataque rápido, toquei com a direita e parti na corrida, só não contava com a dor que saiu do joelho direito correndo por toda a extensão da perna entre me fazendo ver estrelas e aquela cena que correu o mundo do Ronaldo Fenômeno com a camisa do Inter de Milão na ocasião da sua primeira grave contusão no joelho.
Não dava para caminhar, saí carregado. Junto com a dor vieram imagens que mal podia acreditar que iriam se materializar no futuro, tive a sensação que era grave e dali fui direto para o médico, ouvir o primeiro veredicto, rompimento do ligamento cruzado anterior e meniscos, deu vontade de chorar.
O que pode parecer simples para qualquer pessoa que acompanha futebol e quase rotineiramente cirurgias de atletas com esta mesma contusão, não foi simples para mim.
Vivendo um momento de grande dificuldade financeira, graves problemas no trabalho que vieram com uma demissão ao final do ano anterior de 2001, sem planos de saúde, sem dinheiro para arcar com um valor de quinze mil reais, estipulados pelo médico, que ainda disse que preferia não me operar, porque se acontecesse um imprevisto durante a cirurgia e ele precisasse usar recursos que onerariam o custo, corria o risco de se aborrecer comigo por ter combinado um valor e acabar tendo sido outro. Foi duro.
Entre várias consultas, dores constantes, visitas a médicos fui acabar em uma fila de hospital público que durou aproximadamente seis longos anos. Durante esse período entendi muito melhor o que é ter equilíbrio emocional, dedicação, superação e paciência com as lições que vida lhe proporciona.
Em outubro do ano passado fiz a minha cirurgia, deu tudo certo e ouvi do médico que em seis meses poderia voltar as minhas atividades normais, o que fez que um amigo já marcasse o retorno às peladas para o dia 21 de abril, data em que iria comemorar meus 50 anos.
Cumpri nestes seis meses toda a orientação médica e hoje caminho normalmente, sem dores e nesta semana finalmente voltei a jogar uma pelada entre amigos como nos bons tempos.
Havia uma grande insegurança e apesar do incentivo dos amigos, sempre fazia questão de previni-los que não tinha boas condições de jogo, que não esperassem de mim, grandes jogadas e que a bola tinha que vir no pé, como se diz na gíria dos peladeiros.
No começo, toda a minha insegurança se fez realidade, errando jogadas que nunca imaginei errar, beirando ao ridículo a minha participação. Olho para meu filho de 20 anos que participava da pelada e sempre teve vontade de jogar comigo, lamentando por esse período que minha contusão nos impedisse esse prazer e penso: eu preciso continuar, preciso entender minhas limitações atuais e vencer os desafios que criei para mim, perceber que eles estão em minha mente, só eu posso vencer essa batalha, só eu posso criar para mim o melhor momento, só eu posso vencer. A vida me ensinou que preciso me superar e eu precisava passar nessa prova.
Por esses anos sonhei em voltar a praticar esportes, sonhos reais, de grandes jogadas, de estar novamente entre amigos dentro dos campos de várzea, de comemorar vitórias, era sonho apenas.
Recebo uma bola na entrada da área, devolvo aquele que me deu o passe em condições de chute e este me toca novamente, numa tabela digna das jogadas dos meus melhores sonhos, estava diante do goleiro, os zagueiros adversários num esforço considerável para voltar em condições de salvar o que poderia ser mais um gol, dominei a bola com calma, como naqueles filmes com grandes efeitos especiais a cena toda se desenrola como que em câmera lenta, zagueiro chegando, goleiro diminuindo o angulo, a minha mente congelando, uma história de seis anos passando na tela do tamanho de uma baliza. Um filme de suspense, era o meu momento.
A cena volta a andar na sua velocidade normal, ameaço o chute, o goleiro acredita que eu tocaria no canto e se entrega a defesa e se desequilibra, olho o zagueiro bem próximo, só havia uma jogada, com um leve toque por baixo da bola, surpreendo a todas, encobrindo o goleiro lentamente a bola vai descaindo dentro do gol, a tocar na rede, escuto a pequena platéia vibrar, surpresa com o desenlace da jogada, subitamente uma emoção toma conta de mim, estremecendo meu corpo, caminho em direção ao meu filho e recebo seu abraço e de outros amigos, é o meu momento, como nos bons tempos.
Foi uma bola que veio da direita, muito mais para mim que o adversário. Vislumbrei o contra ataque rápido, toquei com a direita e parti na corrida, só não contava com a dor que saiu do joelho direito correndo por toda a extensão da perna entre me fazendo ver estrelas e aquela cena que correu o mundo do Ronaldo Fenômeno com a camisa do Inter de Milão na ocasião da sua primeira grave contusão no joelho.
Não dava para caminhar, saí carregado. Junto com a dor vieram imagens que mal podia acreditar que iriam se materializar no futuro, tive a sensação que era grave e dali fui direto para o médico, ouvir o primeiro veredicto, rompimento do ligamento cruzado anterior e meniscos, deu vontade de chorar.
O que pode parecer simples para qualquer pessoa que acompanha futebol e quase rotineiramente cirurgias de atletas com esta mesma contusão, não foi simples para mim.
Vivendo um momento de grande dificuldade financeira, graves problemas no trabalho que vieram com uma demissão ao final do ano anterior de 2001, sem planos de saúde, sem dinheiro para arcar com um valor de quinze mil reais, estipulados pelo médico, que ainda disse que preferia não me operar, porque se acontecesse um imprevisto durante a cirurgia e ele precisasse usar recursos que onerariam o custo, corria o risco de se aborrecer comigo por ter combinado um valor e acabar tendo sido outro. Foi duro.
Entre várias consultas, dores constantes, visitas a médicos fui acabar em uma fila de hospital público que durou aproximadamente seis longos anos. Durante esse período entendi muito melhor o que é ter equilíbrio emocional, dedicação, superação e paciência com as lições que vida lhe proporciona.
Em outubro do ano passado fiz a minha cirurgia, deu tudo certo e ouvi do médico que em seis meses poderia voltar as minhas atividades normais, o que fez que um amigo já marcasse o retorno às peladas para o dia 21 de abril, data em que iria comemorar meus 50 anos.
Cumpri nestes seis meses toda a orientação médica e hoje caminho normalmente, sem dores e nesta semana finalmente voltei a jogar uma pelada entre amigos como nos bons tempos.
Havia uma grande insegurança e apesar do incentivo dos amigos, sempre fazia questão de previni-los que não tinha boas condições de jogo, que não esperassem de mim, grandes jogadas e que a bola tinha que vir no pé, como se diz na gíria dos peladeiros.
No começo, toda a minha insegurança se fez realidade, errando jogadas que nunca imaginei errar, beirando ao ridículo a minha participação. Olho para meu filho de 20 anos que participava da pelada e sempre teve vontade de jogar comigo, lamentando por esse período que minha contusão nos impedisse esse prazer e penso: eu preciso continuar, preciso entender minhas limitações atuais e vencer os desafios que criei para mim, perceber que eles estão em minha mente, só eu posso vencer essa batalha, só eu posso criar para mim o melhor momento, só eu posso vencer. A vida me ensinou que preciso me superar e eu precisava passar nessa prova.
Por esses anos sonhei em voltar a praticar esportes, sonhos reais, de grandes jogadas, de estar novamente entre amigos dentro dos campos de várzea, de comemorar vitórias, era sonho apenas.
Recebo uma bola na entrada da área, devolvo aquele que me deu o passe em condições de chute e este me toca novamente, numa tabela digna das jogadas dos meus melhores sonhos, estava diante do goleiro, os zagueiros adversários num esforço considerável para voltar em condições de salvar o que poderia ser mais um gol, dominei a bola com calma, como naqueles filmes com grandes efeitos especiais a cena toda se desenrola como que em câmera lenta, zagueiro chegando, goleiro diminuindo o angulo, a minha mente congelando, uma história de seis anos passando na tela do tamanho de uma baliza. Um filme de suspense, era o meu momento.
A cena volta a andar na sua velocidade normal, ameaço o chute, o goleiro acredita que eu tocaria no canto e se entrega a defesa e se desequilibra, olho o zagueiro bem próximo, só havia uma jogada, com um leve toque por baixo da bola, surpreendo a todas, encobrindo o goleiro lentamente a bola vai descaindo dentro do gol, a tocar na rede, escuto a pequena platéia vibrar, surpresa com o desenlace da jogada, subitamente uma emoção toma conta de mim, estremecendo meu corpo, caminho em direção ao meu filho e recebo seu abraço e de outros amigos, é o meu momento, como nos bons tempos.
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