domingo, julho 09, 2006

A Copa 2006

Hoje é a final!
Não há no mundo mais espaço para a inocência, para o romantismo. A globalização torna o Capital o combustível para movimentar as nossas esperanças e sonhos. Não há mais sonhos sem que ele tenha um preço.
Era o melhor time, antes da Copa discutiasse que seria o destaque, que recordes seriam quebrados, quantas jogadas de efeito por jogo nossos craques fariam, com quem decidiríamos, na final. Quem seria o vice desta vez?
As empresas de comunicação enviaram seus correspondentes, todos os possíveis, foram desde comentaristas e reporteres esportivos a profissionais de moda, tudo para cercar a Copa do Mundo e não escapar nenhuma informação.
Estamos gordos, temos bolhas nos pés, frequentamos boates nas horas vagas, somos superstars pop da bola, a Suiça é brasileira, lá tem prostituta, samba, camelódromo e tambem seleção brasileira. Não havia assunto que escapasse, a comunicação era desnecessária para tantos assuntos que nada acrescentavam, que era interessado nisso? Pouco li jornal ou vi reportagens em TV, queriam tirar leite de pedra e se repetiam e incluíam qualquer assunto.
Um mês de expectiativa e começa o jogo. Eu queria ver todos os que pudesse, imaginava que iria testemunhar o grande futebol. Até a nossa primeira partida vi um bom jogo, Argentina x Costa do Marfim, mas me decepcionei tambem neste, a globalização fez com que os africanos, tomassem gosto pela defesa, tem um técnico europeu, e não joga mais em festa como víamos em copas passadas. O Capital entrou em ação e percebeu que a Europa em tempos seria uma terceira força e engessou os africanos.
Nós jogamos e ficamos tristes, o Capital nos prometeu algo que não cumpriu, propaganda enganosa, cabe o Procom? Vamos para o segundo jogo, mesmice... O Capital informa, o futebol agora é feio, o importante é ganhar - quando era competir era mais divertido.
Mudamos, não havia compromissos maiores, já estavámos classificados e nos divertimos um pouco, goleada... em todas as entrevistas a felicidade dos artitas estava estampada, agora vamos, pra frente Brasil, vamos mostrar quem tem mais jogo.
Ilusão, o Capital fala mais alto, são recordes a serem quebrados, nomes a serem preservados, palavras e promessas não jogam, mas se impuseram a frente de nossa alegria. Todos nós víamos, era questão de tempo, quem seria o nosso algós. Somos tão superiores será que alguem é capaz de nos ganhar, a distância é tão grande, não há necessidade de esforço maior que possa nos incomodar, a final é questao te alguns jogos, a final ou o final?
Ficaremos sentados diante da TV, sem graça, com o gosto amargo, o sorriso amarelo, torcendo por quem?
Preferia 1966, Beatles, Almir Pernambuquinho, mais arte, mais emoção, mais inocência, menos Capital.

A Copa de 66

Na Copa de 66 ouvia no ambiente que Brasil ia jogar com Portugal, que tinha Euzébio, o Pelé europeu, o dono da padaria era portugues e era isso que eu sabia de futebol em meus oita anos de idade. O Brasil perdeu, Portugal seguiu para as quartas de final - na época eu nem sabia o que era isso - lembro que foi disputar com a Coréia quem seguia na Copa. No primeiro tempo uma goleada da Coreia definia a partida 3 x 0, uma zebra colossal, estava no jardim da minha casa em um domingo ensolarado, recebia a visita de meus primos, para aqueles almoços familiares de final de semana - bons tempos. Portugal virou o jogo, 5 x 3, seguiu adiante, não lembro do resto da Copa, o que aconteceu depois foi história que vejo contada em toda época de Copa do Mundo, a Inglaterra campeã, beneficiada por um erro de arbitragem, jogando em casa. Polêmica, é assim o futebol, tantas vezes aconteceu... não fosse assim não haveria graça.
Nessa época, lembro de revistas O Cruzeiro e Manchete e fotos de futebol, de querer deixar os cabelos crescer por causa dos Beatles e meu avô insistir em cortá-los quando começavam a subir na orelha, Sr. Eiras o barbeiro, era português.

Copa do Mundo

Nasci em um ano de Copa do Mundo, na primeira conquista do Brasil, mas a lembrança mais antiga que minha memória registra foi em 1966. Naquele ano tambem passei a me interessar por futebol, a definir a minha paixão pelo Flamengo. Naquele ano, não sei se antes ou depois da Copa, assisti pela TV o Almir Pernambuquinho - Edmundo da época, só que jogava muito mais - acabar com a decisão do Campeonato Carioca, descendo a mão no time do Bangu que ousava calar a Nação Rubro Negra com uma sova de 3 x 0, aquilo era demais para ele. O jogo não terminou, a torcida do Flamengo comemorou como se houvesse ganho o título, lavando a alma com a atitude do Almir.
A violência do Almir era fruto de emoção, de vontade de ganhar, da raça, simbolo rubro negro na época. Muitas estórias deve ter este jogo, mais a maior de todas, foi a de Almir.

quinta-feira, maio 18, 2006

Papo de Vendedor

Esta saiu em uma sala de espera cheia de vendedores, o papo era sobre futebol e dos vendedores comentou:
-"... o Ronaldo tem um contrato vitalício, até à morte, com a Nike!"

sábado, maio 13, 2006

Mother

Mother, you had me, but I never had you
I wanted you, you didn't want me
So I, I just got to tell you
Goodbye, goodbye
Father, you left me, but I never left you
I needed you, you didn't need me
So I, I just got to tell you
Goodbye, goodbye
Children, don't do what I have done
I couldn't walk and I tried to run
So I, I just got to tell you
Goodbye, goodbye
Mama don't go
Daddy come home
post by John Lennon

terça-feira, abril 25, 2006

Carioca

Chico Buarque está lançando um novo CD, de nome Carioca e dedicado ao Rio de Janeiro. O Globo em sua Revista dominical faz uma entrevista com o compositor e colhe alguns depoimentos de moradores de bairros da cidade, ilustrando a letra da musica Subúrbios. Uma dona de casa moradora no bairro de Irajá expressa bem o sentimento dos moradores da região, declarando:

“É legal, tem violência, assalto, tem briga como em todo lugar, mas é bom de viver e de criar os filhos, porque é calmo”. Adriana dos Santos.

Não é surpresa perceber como está banalizada a violência em nossa cidade, faz parte do cotidiano das pessoas, perdemos a noção do que é bom, do que é calmo. O medo só ocorre quando está ao nosso alcance ou vai nos atingir. Conviver com a violência torna-a indiferente à medida que é rotineiro, como sair de casa pegar o ônibus, ver uma briga, ir para o trabalho, testemunhar um assalto, ao voltar para casa, ver o corpo de um desconhecido executado a qualquer hora, passar, olhar por curiosidade e seguir caminho, sem surpresas.

Quem vai reclamar, se não aqueles que já sofreram algum tipo de agressão. Se perdermos a noção do que é viver em paz, por que discutir a violência?

Os políticos precisam ter a certeza de que a população está insatisfeita com este modelo, precisamos nos lembrar a todo o momento, que há uma vida melhor para se viver do que essa rotina que nos é imposta pela falta de regras e atitudes para combater essa desvalorização da vida.

A violência que parece distante poderá estar ao seu lado em breve, lembre-se disso, comece desde já a lutar pelo que você acha que não existe mais, sem essa atitude não há como exigir providências de quem deve tomá-las.

sexta-feira, abril 21, 2006

É hoje o dia...

Em todos os meses do ano, nasce muita gente. Sempre tive curiosidade por que tenho tantos amigos ou conheço tantas pessoas nascidas em abril. Algumas vezes contei nove luas atrás e percebi que em julho anterior, no friozinho do inverno as pessoas se envolvessem mais para aquecer seus corpos e levados por esse aquecimento físico, acionassem o botão do desejo, então cavalgando pelos caminhos do prazer até a explosão da paixão e o relaxamento da alma, profundo. Enquanto a genética fazia a sua parte.

Em abril também há datas significativas, Descobrimento do Brasil, Dia do Índio, Tiradentes, fundação de Brasília para citar algumas na esfera nacional. Aniversário do clube onde que fez parte de minha vida, na esfera particular. Em abril nasceu Hitler, acontece de tudo em abril.

Também nasci em abril, para ser mais preciso, há quarenta e oito anos atrás às dezessete horas na Avenida Braz de Pina 532 e parto coordenado por uma parteira, segundo a história que contam. Desde esse dia, ano após ano, nesta data, as pessoas me cumprimentam lembrando de alguma forma que sou querido, que tenho amigos, parentes, conhecidos, anônimos e como foi importante eu ter nascido para conviver com eles em muitos ou poucos momentos.

Amigos até casaram neste data e quem sabe no inverno que se aproxima, reproduzam o seu amor. Um desses amigos que comemora seu qüinquagésimo aniversário neste ano me disse que agora só recebe gozação dos que ao menos lembram de seu aniversário, “ta velho, heim..., com anos em festa, ta na hora de assoprar o velhinho...”, e assim vai. Convenhamos foi assim a vida inteira e ele nunca ligou, será realmente o peso da experiência?

Hoje é minha vez...

quarta-feira, março 08, 2006

Reciclagem de Matéria Prima

Lá em baixo, reproduzi um texto que recebi por email, atribuído a João Ubaldo Ribeiro com o título Precisa-se de Matéria Prima Para Construir um país. Sinceramente não acredito que estas mensagens enviadas por email assinadas por celebridades da impressa ou literatura sejam realmente destas pessoas, não sei tambem o que ganharia um autor ao assinar com o nome de um famoso, um texto de sua inspiração. Assim, se realmente João Ubaldo o escreveu, sinto-me honrado em tê-lo no meu blog e só tenho que agradecer.
Agradeço, mas não concordo com tudo. Sempre defendi que o governo serve de exemplo para o povo, assim como os pais servem de exemplo para os filhos, mas toda a regra tem a sua excessão. A meu ver o modelo que vem de cima proporciona as agruras de nosso povo em busca de uma melhor solução para seu bem estar.
Porque pagar impostos se os benefícios que eles trariam são para poucos ou nenhum, são para beneficiar corrupção, roubalheira, golpes, desvios, desmoralização pública de deputados, senadores, juízes entre outros.
Governantes cometem todos esses atos fora da lei, não recebem uma punição adequada e ainda que possam ser cassados, sempre saem por cima, com uma aposentadoria polpuda aqui, milhões na conta ali, disse me disse sem solução.
Tudos esses exemplos de impunidade, como nas novelas da televisão, o que vemos são os vilões fazendo maldades o tempo todo, para ser punido no ultimo capítulo, daí para frente são esquecidos como se tudo tivesse sido resolvido e ficado na nossa imaginação de que a punição foi o melhor castigo, só na imaginação.
Sou a favor de que o povo proteste, saia da inércia, levante sua voz, a bandeira da indignação, para tudo aquilo que lhe é imposto, para tudo aquilo que possamos entender como inversão dos valores éticos, clamar para que o sistema mude.
Enquanto houver cancer no coração do país, não vai haver remédio que possa curá-lo. Só assim podemos ter um povo melhor, com mais educação, mais cultura, mais determinação, com o comportamento decente de um povo evoluído.

O Bom Futebol

Como torcedor e apreciador do bom futebol, defendo que os jogadores de hoje em dia não sabem roubar uma bola sem atropelar o adversário ou matar literalmente a jogada, sempre comento sobre esse assunto com minha esposa e meus filhos nas transmissões pela TV, já que ir ao Macaranã, que era um dos prazeres da juventude passou a ser uma aventura de risco por vários motivos.
Lembro-me os tempos de garoto e adolescente, quando nossos ídolos eram Rivelino, Tostão, Pelé, Dirceu Lopes, Ademir da Guia, Jairzinho, PC Caju, Zico, Junior entre outros. Jogávamos peladas no paralelepípedo da Pracinha na Penha ou na quadra do Parque Ari Barroso e a principal regra da pelada, se não a única, era proibido fazer falta!
Claro que aconteciam choques que o próprio esporte proporciona, mas eles eram evitados ao máximo, por que cair no paralelepípedo era contusão certa e caso alguma falta proposital acontecesse dava até briga entre os amigos.
Alem disso, até que a quantidade de “atletas” fosse ideal para a formação de dois times, como aquecimento, brincávamos de cruzamento onde havia um goleiro, um zagueiro, vários atacantes sendo que um deles cruzava sobre a área. Naturalmente os atacantes buscavam o gol, mas só valia enquanto a bola estivesse no alto, ao cair no chão, anulava a jogada e voltava para o cruzamento. A cada gol o seu autor, passava a goleiro, este iria para o cruzamento, quem cruzava para zagueiro e este para atacante, podíamos dizer que jogávamos nas onze, alem disso aprendíamos a dar um passe no cruzamento, controlar a bola no alto, cabecear, matar no peito, cortar um cruzamento e ainda fazer uma defesa difícil. Era só diversão e treinamento apenas pelo prazer do futebol.
Anos depois, em outro endereço, já casado e com dois filhos que gostam do futebol, fui convidado por eles e por seus amigos que curtiam a minha habilidade com a bola, fui convidado para uma pelada de rua como aquela que jogava quando criança. Achei boa a idéia de relembrar os bons tempos e participei, porem os ídolos agora são outros e o que os garotos admiram é chegar junto, a falta é do jogo e futebol é pra homem, é jogo para o físico e não para a mente, foi uma participação apenas e nunca mais, preferi as peladas com o pessoal da antiga da minha idade que tinham os meus ídolos, até que uma contusão séria no joelho, encerrou minha carreira, mas me machuquei sozinho.
Fica claro que não há preocupação alguma com a categoria hoje em dia, com o treinamento nas divisões de base, é melhor o Brasil ganhar logo o hexa esse ano por que um futuro mais pobre está por vir.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Stones in Rio

Cheguei em Copacabana pouco antes das 15 hs, um almoço e um descanso na casa de minha mãe, faziam parte do plano. Eu sabia o que estava por vir, encarar um milhão e meio de pessoas, disputar um espaço para ver e ouvir os Stones em pessoa seria uma tarefa árdua.
Não perdi as outras duas vezes em que eles estiveram por aqui, particularmente achei que o show na Apoteose foi o melhor de todos. Foi neste show que fui às lágrimas ouvindo Mick Jagger e Bob Dylan dividindo o microfone e as emoções em Like a Rolling Stone. Saí de lá mais jovem vendo toda aquela energia dos velhos roqueiros e sentindo tudo isso que você sentiu agora.
Por ter passado por estas grandes emoções cheguei a ventilar assistir pela TV, sabia que ao vivo seria difícil, principalmente porque haveria quatro mil e quinhentos VIPs à minha frente, considerando que nunca fui chegado na turma do gargarejo (com exceção de um único show de Ian Gillan, vocalista do Deep Purple, naquele dia em carreira solo, onde fui brindado com aquele tapinha na mão que um roqueiro sempre sonha) haveriam mais uns tantos mil à minha frente, portanto era certo ver pelo telão. Talvez a TV fosse mesmo a melhor opção, mas eram os Stones e a frase de um sobrinho foi definitiva para me convencer a ir – “quando alguém falar sobre aquele show dos Stones com um milhão e meio de pessoas em Copacabana, eu poderei falar, eu estava lá!” (assim como me orgulho de fazer backing vocals para o Iron Maiden, no ultimo Rock in Rio do Rio na arrepiante versão de Fear of The Dark).
Dias antes estive lá e concluí que a areia era impossível, o melhor era entre o Copacabana Palace e o palco, neste ponto o calçadão da praia seria a melhor opção, então, invadimos a multidão, eu e alguns amigos, chegamos ao calçadão que divide a Av. Atlântica e encontramos um ambulante estacionado com uma bicicleta, meia dúzia de casais com suas respectivas mulheres aboletadas em banquinhos para enxergarem acima da multidão e protegidas pelos respectivos acompanhantes, “aqui ninguém passa!”, por ali tem um isopor, na frente tem um ambulante, casais, aborrecidos por todos os lados, negociamos e ficamos por ali mesmo.
Dava até para ver o palco e lá longe, esticando o pescoço e desviando dos banquinhos, poderíamos ver os caras. Fiquei sabendo com um casal de paulistas que haviam chegado até ali às 13 hs, disseram que não dava para ir mais, o ambulante nos abasteceu com as cervejas, refrigerantes e águas até que acabasse o seu estoque, o calor e intenso, perdi alguns quilinhos, acelerando uma redução de peso que venho buscando, era quase um VIP.
Chegada à hora do show, o som ali, era assim “...meio de lado indo embora...” mas levantou a galera, aumentou o calor, opa chegou uma turma querendo ir mais para frente, esbarrou nos casais dos banquinhos, no ambulante, na turma do no isopor, forçou a barra, discutiu e achou um outro caminho, por conta disso escaparam alguns acordes, mas ainda tem muito por vir.
Keith Richard troca uma idéia com a galera, pega o violão, uma balada no palco e uma mulher desmaiando ao meu lado. Ajuda, levanta, abana, empurra, vai embora... era uma balada?!?! Agora... dá pra ser Happy assim???
E segue o show, palco na estrada rolante, vai pra perto do povão, gente que vai mais pra frente, discute, casais, banquinho, isopor, ambulante, segue o show.
Palco vai pra longe do povão, gente que sai, discute, casais, banquinho, isopor, ambulante, segue o show.
Enfim Satisfaction, vamos curtir pelo menos essa que depois acaba... Muita gente pensou, “essa é a ultima vamos sair antes do tumulto”, casais, banquinho, isopor, ambulante, não há discussão a pressão é maior, empurra, passa, estica a cabeça, no telão a camisa branca com a bandeira do Brasil, agita a multidão. A multidão agita, empurra, passa, adeus Stones, foi bacana, mas na Apoteose foi melhor e no Maracanã também.
Foi minha despedida dos palcos em shows deste tamanho, com uma exceção para o Pink Floyd, a não ser que minha popularidade cresça e eu seja um VIP no próximo evento.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

"Precisa-se de Matéria Prima para construir um País"

"A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada...
Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós. Nós como POVO. Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a "ESPERTEZA" é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciadado que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal, E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as "EMPRESAS PRIVADAS" são papelarias particularesde seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos...E para eles mesmos.
Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu "puxar" a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito.Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano.Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas fazem "gatos" para roubar luz e água, e nos queixamos de como esses serviços estão caros. Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual Presidente, que recentemente falou que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica. Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar o que não tem, encher o saco dos que tem pouco e beneficiar só a alguns.
Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser "comprados", sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem "molhei" a mão de um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro, apesar de ainda hoje de manhã ter passado para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta! Como "Matéria Prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres de que nosso País precisa. Esses defeitos, essa "ESPERTEZA BRASILEIRA" congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...Entristeço-me, porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada...Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor. Mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Não serviu Collor, não serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e não serve Lula, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... Igualmente sacaneados!
É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda...Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias. Nós temos que mudar! Um novo governante com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro... Somos nós os que temos que mudar.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO."
Recebi o texto acima por e-mail, ele é atribuído ao João Ubaldo Ribeiro e apesar de interessante me permite descordar em vários pontos, vejamos no proximo post.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Os Gemeos - Capítulo I

Vivia uma vida boa, não sobrava dinheiro, mas podia obter prazeres e conquistas que o capitalismo oferece. Tudo caminhava tranqüilo quando na virada do século foi surpreendido com uma notícia que revirou sua vida. Fruto de uma relação mundana, beneficiada pela globalização e uma sede oriental de prazer tomou conhecimento de dois filhos bastardos, que nos braços daquela japonesa da qual somente tinha uma vaga lembrança, lhe sorriam crescidinhos.
Eram como seus retratos infantis de olhos puxados, não havia como negar-lhes a paternidade irresponsável. Resultado de seu descontrole e agravando a situação, eram gêmeos, mistura de um orgulho insano e palpitações cardíacas, ainda sem entender o que estava por vir aproximou-se de um deles admirado com seu jeito lhe pegou no colo, incrédulo. Da mãe nem lembrava o nome, pouco importava então, por que não lhe procurara antes, havia tantas coisas que poderia ter feito, era fato!
Enquanto a levava a vida, havia uma gestação paralela que não dava conta de existir e agora estavam diante de seus olhos. Sem saber o que fazer e olhando o menino em seu colo e o outro ainda tímido agarrado à mãe, perguntou a mulher os seus nomes.
Foi assim que conheceu Toduro e Takaro e sua vida nunca mais foi a mesma.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Conversa de Supermercado

No caixa do supermercado a Fiscal chega para entregar dinheiro trocado para a operadora e faz o seguinte comentário...
"...Fulana a ordem dos produtos não altera o fator..."