terça-feira, abril 25, 2006

Carioca

Chico Buarque está lançando um novo CD, de nome Carioca e dedicado ao Rio de Janeiro. O Globo em sua Revista dominical faz uma entrevista com o compositor e colhe alguns depoimentos de moradores de bairros da cidade, ilustrando a letra da musica Subúrbios. Uma dona de casa moradora no bairro de Irajá expressa bem o sentimento dos moradores da região, declarando:

“É legal, tem violência, assalto, tem briga como em todo lugar, mas é bom de viver e de criar os filhos, porque é calmo”. Adriana dos Santos.

Não é surpresa perceber como está banalizada a violência em nossa cidade, faz parte do cotidiano das pessoas, perdemos a noção do que é bom, do que é calmo. O medo só ocorre quando está ao nosso alcance ou vai nos atingir. Conviver com a violência torna-a indiferente à medida que é rotineiro, como sair de casa pegar o ônibus, ver uma briga, ir para o trabalho, testemunhar um assalto, ao voltar para casa, ver o corpo de um desconhecido executado a qualquer hora, passar, olhar por curiosidade e seguir caminho, sem surpresas.

Quem vai reclamar, se não aqueles que já sofreram algum tipo de agressão. Se perdermos a noção do que é viver em paz, por que discutir a violência?

Os políticos precisam ter a certeza de que a população está insatisfeita com este modelo, precisamos nos lembrar a todo o momento, que há uma vida melhor para se viver do que essa rotina que nos é imposta pela falta de regras e atitudes para combater essa desvalorização da vida.

A violência que parece distante poderá estar ao seu lado em breve, lembre-se disso, comece desde já a lutar pelo que você acha que não existe mais, sem essa atitude não há como exigir providências de quem deve tomá-las.

sexta-feira, abril 21, 2006

É hoje o dia...

Em todos os meses do ano, nasce muita gente. Sempre tive curiosidade por que tenho tantos amigos ou conheço tantas pessoas nascidas em abril. Algumas vezes contei nove luas atrás e percebi que em julho anterior, no friozinho do inverno as pessoas se envolvessem mais para aquecer seus corpos e levados por esse aquecimento físico, acionassem o botão do desejo, então cavalgando pelos caminhos do prazer até a explosão da paixão e o relaxamento da alma, profundo. Enquanto a genética fazia a sua parte.

Em abril também há datas significativas, Descobrimento do Brasil, Dia do Índio, Tiradentes, fundação de Brasília para citar algumas na esfera nacional. Aniversário do clube onde que fez parte de minha vida, na esfera particular. Em abril nasceu Hitler, acontece de tudo em abril.

Também nasci em abril, para ser mais preciso, há quarenta e oito anos atrás às dezessete horas na Avenida Braz de Pina 532 e parto coordenado por uma parteira, segundo a história que contam. Desde esse dia, ano após ano, nesta data, as pessoas me cumprimentam lembrando de alguma forma que sou querido, que tenho amigos, parentes, conhecidos, anônimos e como foi importante eu ter nascido para conviver com eles em muitos ou poucos momentos.

Amigos até casaram neste data e quem sabe no inverno que se aproxima, reproduzam o seu amor. Um desses amigos que comemora seu qüinquagésimo aniversário neste ano me disse que agora só recebe gozação dos que ao menos lembram de seu aniversário, “ta velho, heim..., com anos em festa, ta na hora de assoprar o velhinho...”, e assim vai. Convenhamos foi assim a vida inteira e ele nunca ligou, será realmente o peso da experiência?

Hoje é minha vez...