quarta-feira, março 08, 2006

O Bom Futebol

Como torcedor e apreciador do bom futebol, defendo que os jogadores de hoje em dia não sabem roubar uma bola sem atropelar o adversário ou matar literalmente a jogada, sempre comento sobre esse assunto com minha esposa e meus filhos nas transmissões pela TV, já que ir ao Macaranã, que era um dos prazeres da juventude passou a ser uma aventura de risco por vários motivos.
Lembro-me os tempos de garoto e adolescente, quando nossos ídolos eram Rivelino, Tostão, Pelé, Dirceu Lopes, Ademir da Guia, Jairzinho, PC Caju, Zico, Junior entre outros. Jogávamos peladas no paralelepípedo da Pracinha na Penha ou na quadra do Parque Ari Barroso e a principal regra da pelada, se não a única, era proibido fazer falta!
Claro que aconteciam choques que o próprio esporte proporciona, mas eles eram evitados ao máximo, por que cair no paralelepípedo era contusão certa e caso alguma falta proposital acontecesse dava até briga entre os amigos.
Alem disso, até que a quantidade de “atletas” fosse ideal para a formação de dois times, como aquecimento, brincávamos de cruzamento onde havia um goleiro, um zagueiro, vários atacantes sendo que um deles cruzava sobre a área. Naturalmente os atacantes buscavam o gol, mas só valia enquanto a bola estivesse no alto, ao cair no chão, anulava a jogada e voltava para o cruzamento. A cada gol o seu autor, passava a goleiro, este iria para o cruzamento, quem cruzava para zagueiro e este para atacante, podíamos dizer que jogávamos nas onze, alem disso aprendíamos a dar um passe no cruzamento, controlar a bola no alto, cabecear, matar no peito, cortar um cruzamento e ainda fazer uma defesa difícil. Era só diversão e treinamento apenas pelo prazer do futebol.
Anos depois, em outro endereço, já casado e com dois filhos que gostam do futebol, fui convidado por eles e por seus amigos que curtiam a minha habilidade com a bola, fui convidado para uma pelada de rua como aquela que jogava quando criança. Achei boa a idéia de relembrar os bons tempos e participei, porem os ídolos agora são outros e o que os garotos admiram é chegar junto, a falta é do jogo e futebol é pra homem, é jogo para o físico e não para a mente, foi uma participação apenas e nunca mais, preferi as peladas com o pessoal da antiga da minha idade que tinham os meus ídolos, até que uma contusão séria no joelho, encerrou minha carreira, mas me machuquei sozinho.
Fica claro que não há preocupação alguma com a categoria hoje em dia, com o treinamento nas divisões de base, é melhor o Brasil ganhar logo o hexa esse ano por que um futuro mais pobre está por vir.

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